Localização
Avenida da República, 300
2750-475 Cascais
+351 214 826 970
Horário
3ª a domingo
10h às 13h e das 14h às 18h
Última entrada às 17h40

O museu encerrará nas seguintes datas: 05/12 (sábado); 06/12 (domingo); 07/12 (segunda-feira) e 08/12 (terça-feira).
Público Geral: 5€
Residentes: 2.5€

Exposições/

Paula Rego/ Josefa de Óbidos/

Paula Rego/Josefa d'Óbidos: pintura religiosa no feminino

19 de Dezembro  de 2020 a 23 Maio de 2021

Curadoria: Catarina Alfaro

A programação da Casa das Histórias Paula Rego tem vindo a ser definida em função da premissa de que a obra da artista comunica com o tempo passado e com o presente, e constitui-se também como elemento diluidor das hierarquias e de diferenciação entre a arte erudita e a popular, arte contemporânea, artistas consagrados, artistas outsiders e outras possíveis diferenciações que habitualmente espartilham o território das artes visuais e os seus produtores.

Na genealogia artística feminina e na respetiva análise historiográfica da arte portuguesa destacam-se dois nomes separados por quase três séculos: Josefa de Ayala (1630) e Paula Rego (1935). Trazer para este museu monográfico duas exposições de duas mulheres artistas, com um título comum, mas assumidamente diferenciadas no espaço - a exposição de obras de Paula Rego decorre em sete salas contíguas e a de Josefa na sala dedicada a exposições temporárias - justifica-se, desde logo, pelo modo ambas se distinguem, nas suas diferentes épocas criativas, pela originalidade da sua obra que ultrapassa os academismos dominantes nas suas épocas, pela intensa carga sensualista que ambas imprimem à pintura e ainda pela capacidade imaginativa de reconfiguração das temáticas religiosas, utilizando um discurso original, estruturado e proferido no feminino, em que o sagrado e o profano comunicam através de um vocabulário pictórico pessoal que ambas ousaram construir.

Afastando qualquer intenção comparatista entre as suas vidas e obras, é inevitável estabelecer pontos comuns. O carácter independente e o empenho na afirmação da sua individualidade, quer na vida, quer na arte, foram certamente determinantes para a realização de um percurso artístico único.

A escolha de temáticas religiosas em que as mulheres são protagonistas, ou modelos femininos exemplares, poderá igualmente funcionar como um critério de aproximação das duas artistas, até porque ambas coincidem, mais do que uma vez, nas suas escolhas quando representam "heroínas cristãs".

A seleção de obras de Paula Rego para esta exposição foi feita a partir de uma temática comum que a artista explorou, de modo mais ou menos declarado, desde sempre: a religiosidade católica e o que ela encerra de misterioso. E a sua reflexão constante sobre o protagonismo das mulheres estende-se assim a personagens concretas, santas e mártires, detentoras de uma existência narrativa e histórica.

Josefa de Ayala estende a sua representação de modelos femininos da Igreja Católica a uma personalidade marcante, sobretudo na Península Ibérica, pelo seu papel reformador na definição da espiritualidade do século XVI em diante. Esta mulher, Santa Teresa de Ávila, de invencível sentido crítico foi freira, escritora, reformadora, fundadora, proeminente mística espanhola, e nasceu em Ávila em 1515. De todas as encomendas aceites por Josefa para pinturas de retábulos de diversas igrejas portuguesas destaca-se, pela sua qualidade de conjunto, a série de Santa Teresa do Convento de Nossa Senhora da Piedade, de Cascais, datada de 1672, e que se constituiu como núcleo fundamental para a seleção de obras da artista nesta exposição.

São apresentadas 115 obras de Paula Rego explorando diferentes técnicas (pintura, desenho, gravura, escultura) e 21 pinturas de Josefa de Ayala.