Localização
Avenida da República, 300
2750-475 Cascais
+351 214 826 970
Horário
3ª a domingo
10h às 18h
Última entrada às 17h40
Público Geral: 5€
Residentes: 2.5€

Exposições/

My Choice/ Galeria da Fundação EDP, Porto/

MY CHOICE - Obras seleccionadas por Paula Rego na Colecção do British Council

14 de Julho a 23 de Outubro de 2011

YevondeMadame Yevonde, Machine Worker in Summer, 1937 - © Yevonde Portrait Archive

My Choice é uma exposição produzida em parceria com o British Council e a Fundação EDP que se estrutura a partir do conceito já conhecido e experimentado do artista-curator.


Depois de se apresentar na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, entre
fevereiro e junho, a exposição é dada a ver na galeria da nova sede da EDP do Porto, seguindo finalmente em outubro para A Casa das Caldeiras (Universidade de Coimbra).

São 87 obras
selecionadas, maioritariamente desenhos e gravuras, mas também fotografia e pintura, que espelham a sua identidade criadora. O critério desta seleção e as possibilidades de agrupamento e relação deste universo heterogéneo de imagens, traçam-se livremente, não sendo motivados por um qualquer programa curatorial de apresentação das obras de acordo com uma visão sistemática ou metodologia de escolha das obras pré-estabelecida. Como afirma a artista, «(…) Escolhi apenas aquilo de que gostei. Não escolhi imagens por causa do nome do artista ou por serem consideradas historicamente relevantes. Muitas vezes, não sabia quem as tinha feito. Algumas delas, já as vira antes, mas outras não. Adorei essa liberdade de gostar do que via».
My Choice desenvolve-se assim a partir desse mapeamento livre de constelações de imagens de uma
coleção que habitualmente não é exposta na íntegra.

 

«A coleção do British Council está guardada num armazém, e eu não fazia ideia de quanto teria para ver. Desci alguns degraus, e deparei-me com prateleiras e prateleiras cheias de imagens. … Ao fundo da sala empilhavam-se grandes caixas de cartão negro, cheias de desenhos e gravuras. Tive a impressão de que algumas não eram abertas há anos e anos, de que ninguém havia sequer olhado para elas.
Descobri um mundo mágico de lugares lindamente desenhados, casas com janelas de vários tamanhos, paisagens e vistas urbanas, muitas vezes misteriosas. Senti o meu coração palpitar, sem saber ainda a sucessão de surpresas que me esperava; enchi-me de
expectativa e encanto».


Neste surpreendente processo de descoberta, descrito por Paula Rego, e a possibilidade de tornar visível o que raramente pode ser visto, os processos criativos próprios do fazer artístico surgem como estímulos às escolhas da artista: «Gosto de desenhar. Gosto de olhar para desenhos, de perceber como o desenho aconteceu, o impulso do artista.

Era empolgante olhar de perto alguns dos desenhos, seguir as marcas de tinta feitas por Sickert, a linha com que desenha as pernas do homem. Há uma altura em que se pode ver que ele não sabe bem por onde ir, um borrão, como um ligeiro percalço, mas continua em frente mesmo assim, mesmo que se esteja a enganar. O resultado é uma imagem desajeitada, arrebatadora e levemente ameaçadora. Há desenhos maravilhosos nesta coleção».
A sua escolha é sempre individualizada, como se cada uma das obras tivesse sido olhada e
selecionada como peça única, sem sentido de corpo com as restantes. O que as une é o olhar da artista, conduzido quase sempre para obras com uma narratividade intrínseca que muitas vezes se manifesta através de situações extremas, de grande tensão e dramatismo, também presentes nas obras que se desenvolvem a partir de narrativas universais, como o nascimento, a morte, o amor e o sexo.

Naked Girl with Egg de Lucian Freud, destaca-se naturalmente deste conjunto, obra escolhida por Paula Rego motivada pela história real que a pintura transporta e que a artista naturalmente conhecia. Uma história que adivinhamos infeliz, que transparece na excessiva exposição daquele corpo jovem mas passivo, alegoricamente objectificado na presença simbólica do ovo cozido cortado ao meio. Esta escolha dá-se não pela sua expressão plástica nem sequer por se identificar com a extraordinária crueza da pintura, mas exatamente por ela lhe provocar uma forte emoção.

As 6 gravuras de uma série de 39, inspiradas nos Six Fairy Tales from the Brothers Grimm/ Seis Contos de Fadas dos Irmãos Grimm (1969) da autoria de David Hockney, detêm igualmente um forte
carácter narrativo que a pintura do mesmo autor, apresentada no Porto pela primeira vez nesta itinerância, nega ao introduzir a ideia e imagem de uma evidente intemporalidade.