Localização
Avenida da República, 300
2750-475 Cascais
+351 214 826 970
Horário
3ª a domingo
10h às 18h
Público Geral: 5€
Residentes: 2.5€

Exposições/

Paula Rego: Contos tradicionais e contos de fadas/

Paula Rego: Contos tradicionais e contos de fadas

8 de maio a 30 de setembro 2018

Paula Rego inicia a sua pesquisa sobre o universo literário dos contos populares portugueses em 1974, ano em que começa a produzir uma série de ilustrações dedicadas ao tema. São histórias violentas e cruéis e nelas a artista reencontra não só as suas memórias de infância mas também o medo. Em 1976 candidata-se a uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, propondo-se "ilustrar mais prolificamente os contos tradicionais portugueses ou integrar esses contos eternos na nossa mitologia contemporânea e experiência pessoal através da pintura". Desde então, os contos tradicionais e os contos de fadas têm vindo a revelar-se uma fonte fértil para o trabalho criativo da artista.

A sua abordagem aos contos é marcadamente autoral e muitas vezes autorreferencial e as histórias que se alinham numa estética do fantástico e que exploram as temáticas do encantamento, do amor e da sedução, do poder e da subjugação, do medo e do terror e, sobretudo, da transgressão, deixam de se submeter, nas suas obras, a essas referências exteriores numa delineada estratégia de insubmissão. Os contos, por sua vez, ganham um novo sentido ao articularem-se, na tela ou no papel, com elementos e histórias do universo pessoal da artista.

Na sua livre interpretação destas histórias que integram o seu imaginário, Paula Rego introduz a voz das mulheres, dominante desde o início dos contos de fadas. É simultaneamente personagem e narradora destas histórias intemporais, reinscrevendo-as no seu próprio tempo. Nesse seu contar pela pintura assistimos sempre a um processo de questionamento, mas também de revelação crua e, muitas vezes, brutal da natureza humana e das relações que os humanos estabelecem entre si, sejam elas familiares, amorosas ou políticas. Os contos de fadas servem-lhe para revelar e, sobretudo, desconstruir os modelos de socialização estabelecidos e, mais especificamente, os papéis atribuídos pela sociedade do seu tempo à mulher.

 

Curadoria: Catarina Alfaro e Leonor de Oliveira

Paula Rego