Localização
Avenida da República, 300
2750-475 Cascais
+351 214 826 970
Horário
3ª a domingo
10h às 18h
Última entrada às 17h40
Público Geral: 5€
Residentes: 2.5€

Paula Rego: Anos 80/

Paula Rego: Anos 80

13 de dezembro de 2018 a 26 de maio 2019

Exposição prolongada até 23 de junho de 2019

A exposição Paula Rego: Anos 80 reúne um vasto conjunto de obras desta década que se encontram, na sua grande maioria, em coleções particulares. Este período coincide com mudanças pessoais, sociais e artísticas que provocam em Paula Rego um sentimento de liberdade em relação às expectativas impostas quanto ao modo de "fazer arte", e que se traduzirá numa reformulação do seu processo de trabalho (universo narrativo e tratamento formal das suas obras). A sua vontade de libertação artística, de "fazer mais diretamente", irá conduzi-la a um espaço de maior proximidade consigo, com a sua vida para além da pintura. A presença e o confronto com as suas emoções através da pintura desencadeiam-se quando estabelece uma linguagem visual radicalmente nova para contar as suas histórias, criando um universo complexo e ambíguo em que os animais são criaturas com qualidades e comportamentos humanos, atiradas para situações peculiares, dramas vívidos e que invadem ruidosamente a sua pintura.

Por esta razão, os enredos complexos que cria nas pinturas apenas podem ser desvendados nas entrelinhas. A ambiguidade é reforçada pela dúplice condição que Paula Rego confere aos animais que retrata e que preservam, por um lado, a sua singularidade, mas que, por outro, a cumulam com a sua humanização, fundada em estereótipos relacionais. E os  animais prestam-se porque as emoções humanas são neles facilmente identificáveis através de associações que vêm da cultura popular, sobretudo das fábulas, e que se estabelecem de imediato.

Em todas estas obras em que o animal se apresenta como o nosso outro, visto do lado de fora ou do lado de dentro, em qualquer que seja a história narrada por Paula Rego estabelece-se sempre um processo de questionamento, mas também de revelação crua e, muitas vezes, brutal da natureza humana e das relações que os humanos estabelecem entre si, sejam elas familiares, amorosas ou políticas. A artista serve-se da natureza dos animais para despir as narrativas de qualquer sentimentalismo redutor.

Curadoria: Catarina Alfaro