Localização
Avenida da República, 300
2750-475 Cascais
+351 214 826 970
Horário
3ª a domingo
10h às 18h
Última entrada às 17h40
Público Geral: 5€
Residentes: 2.5€

Exposições/

Victor Willing: Uma Retrospectiva/

9 de Setembro de 2010 a 2 de Janeiro de 2011

Actuais ImagemVictor Willing, Lugar, 1976-78 (tríptico) - Colecção Paula Rego em comodato na Fundação Paula Rego/Casa das Histórias Paula Rego, Cascais

Victor Willing nasceu em Alexandria em 1928 e morreu em Londres em 1988.

 A partir de 1957 até 1974 residiu entre a Ericeira e Londres com a sua mulher, Paula Rego, que conheceu em 1953 na Slade School em Londres. Em 1966 foi-lhe diagnosticada esclerose múltipla; no mesmo ano tornou-se responsável pela empresa de componentes de electrónica do seu sogro, em Lisboa. Regressou permanentemente a Londres em 1974. Entre 1957 e 1974 pintou intermitentemente. Só a partir do seu regresso a Londres em 1974 voltou a pintar em full-time, produzindo um trabalho substancial. Uma retrospectiva das suas pinturas e desenhos teve lugar em 1986 na Whitechapel Gallery em Londres. O seu trabalho nunca foi mostrado em Portugal.

Nas suas pinturas, Willing confere presença palpável, cor e luz aos objectos, embebidos no espaço numa fracção de tempo, suspensos entre o passado e o futuro. A tinta é aplicada rapidamente, de forma a reproduzir tão fielmente quanto possível o pensamento por detrás da imagem. A estrutura da composição pictórica contém uma cuidadosamente ajustada medida de informalidade, lembrando desenhos de grande escala, convidando o observador a entrar e habitar a cena pintada. As pinturas executadas entre 1974 e 1984 estão imbuídas da ausência e bem assim da implícita presença de um protagonista, que poderá ser o observador ou o artista ele próprio.

A estrutura fluida, a abertura e a presença física da cor e da luz no espaço, através dos quais o observador é atraído para o interior das pinturas, são estratégias dos pintores barrocos do séc. XVII, que dessa forma criaram imagens coerentes de temas religiosos, históricos ou mitológicos. Willing adopta estratégias semelhantes nas pinturas executadas entre 1974 e 1984, conferindo plenitude e veracidade da forma física, pictórica, a imagens incongruentes emergindo de fantasias e de visões enraizadas no inconsciente. Pelo facto de as pinturas serem executadas de uma forma imediata e directa, o observador não é distraído por especulações sobre o significado pretendido, mas sim levado a concentrar-se no que está lá.

«Acho que são cenários», disse Willing em 1985, «onde alguma coisa aconteceu ou está prestes a acontecer mas que não está a acontecer nesse momento. E assim transportam um estado de espírito e penso que é isso que as pessoas reconhecem, porque já caíram em semelhante estado de expectativa ou rememoração quando olham para pinturas».